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Talvez você não saiba sobre a estreia da nova série da Netflix, Dear White People (Cara gente branca, em português). E eu entendo se você não souber, afinal, ao contrário do que aconteceu com séries como 13 Reasons Why e Girlboss, também não estou vendo milhares de pessoas publicando em suas redes que estão assistindo o programa ou discutindo a importância do tema em suas timelines no Facebook.

Dear White People é uma série que fala sobre racismo – ou melhor, é uma série que joga na sua cara diversas situações racistas que você pratica ou não quer enxergar no dia a dia. O dedo na ferida é tão grande que, quando foi anunciada, muita gente (branca) cancelou suas contas na Netflix alegando que a série era sobre racismo reverso (o que já vamos deixar CLARO aqui que não existe.).

Dear White People
Racismo descreve um sistema de desvantagem baseado na raça.

Fazendo uma releitura do filme de mesmo nome, o seriado mostra, de forma irônica e certeira, o racismo na universidade de Winchester e, a cada cena, exibe o que vemos bem embaixo dos nossos narizes – mas uma parcela branca da sociedade insiste que não existe, que é mimimi e continua praticando esse preconceito velado que atinge milhares de pessoas negras todo.santo.dia.

DWP tem 10 capítulos de aproximadamente 30 minutos cada. E a cada um deles você vê pessoas brancas tentando deslegitimar a desigualdade social e o racismo – o que também acontece fora da Netflix. Vemos também a diferenciação que os negros sofrem a partir do tom de suas peles, o colorismo que faz com que pessoas negras mais claras sejam mais aceitas que as que têm o tom mais escuro (o que não as excluem do sistema racista em que vivemos).

São vários pontos que mostram como o racismo está introjetado na nossa sociedade e, assim como acontece com o bullying em 13 Reasons Why, ele também leva ao isolamento social, à depressão e, sim, possivelmente ao suicídio.

Precisamos falar sobre Dear White People, mas não queremos 1

Como contei neste texto aqui que escrevi para o Superela, o racismo fez muitos danos na minha vida, me fazendo sentir inferior, preterida e rejeitada – aspectos que fizeram com que eu tivesse depressão por boa parte da minha adolescência e gerou reflexos com os quais ainda luto na minha vida adulta.

E eu não sou a única! Pessoas negras que assistirem Dear White People com certeza vão se identificar com várias situações de racismo. Talvez seja por isso que só vejo negros falando sobre a importância da série em suas redes sociais. A maioria dos brancos – e aqui não se sinta ofendido porque você sabe que estou falando a verdade – talvez não se identifiquem porque não querem reconhecer que são, já foram ou reproduzem racismo no dia a dia.

Precisamos falar sobre Dear White People, mas não queremos 2

Será que vamos ver textões enumerando as razões para que Dear White People seja assistida? Será que alguém vai publicar no seu Facebook um mea culpa assumindo que já foi racista, como fizeram com 13 Reasons Why ao assumirem que já foram um porquê de alguém? Ou ainda, vamos ver as análises comportamentais sobre a série, assim como fizeram com GirlBoss?

Precisamos falar sobre Dear White People, mas não queremos 3

Dear White People, assim como qualquer outra série que toca na nossa ferida, independentemente de qual ela seja, é uma história que reflete na sociedade em que vivemos e também precisamos falar sobre ela. É uma série sobre negros para que os brancos olhem para além de seus umbigos claros e reconheçam que racismo oprime, exclui, causa danos psicológicos e mata todos os dias. E aí, você vai falar sobre ou preferir o silencio que coloca negros à margem da sociedade desde que o mundo é mundo?


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