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Para pessoas negras, é fácil pensar em maneiras de combater o racismo. Quer dizer, não digo fácil, mas sim rotineiro. É uma situação pela qual a gente passa desde que o mundo é mundo e, infelizmente, precisamos lidar com isso o tempo todo das mais diversas maneiras.

Certa vez, uma amiga branca me disse que não sabia como ajudar as pessoas negras, não sabia como ajudar a frear o racismo que elas sofrem. Realmente, você, também branco, pode ter dúvidas sobre isso, mas é mais fácil que se imagina.

E aqui, vale dizer que uma pessoa branca ajudar a combater o racismo não é roubar o local de fala – que, pra quem não sabe, significa abrir um diálogo a partir da pessoa que sofre uma opressão. Local de fala é você deixar quem é oprimido socialmente falar (e, claro, aprender a ouvir o que a pessoa tem a dizer sem ficar o tempo todo questionando ou querendo roubar a fala sem ter o mínimo de vivência sobre o que ela passa).

Sempre é muito importante pra mim ver um amigo branco reprendendo uma pessoa racista. Sabe aquele cara na roda que adora fazer piadinhas com minorias? Pois é, quando ele abre a boca e o meu amigo branco diz a ele que sua fala é racista, isso me alegra. Porque se esse meu amigo branco não dizer nada, eu com certeza vou achar que ele concorda com tal fala. 

Quando a gente presencia um ato de opressão e não faz nada, a gente concorda com ele. Sabe porque? Porque a pessoa que oprime vai se sentir estimulada a oprimir cada vez mais, afinal, sempre que ela é racista, ninguém a questiona, deixa ela falar o que quiser.

É muito importante também me sentir ouvida pelos meus amigos brancos. Se eles estão abertos a entender a vivência de um negro, eles estão abertos a entenderem como podem ajudar na luta contra o racismo. Dizer que é mimimi, acho que é óbvio, não ajuda em nada.

Só faz com que mais e mais pessoas negras se sintam acuadas a contarem sobre suas situações de racismo, já que para um branco isso “não é nada demais” e “o mundo está ficando chato”. Chato pra quem? Pra mim ainda está pouco!

Deslegitimar o racismo também é uma coisa que brancos podem parar de fazer para ajudar a combatê-lo. Sabe quando sua amiga negra vai te explicar o que é apropriação cultural e antes mesmo dela terminar você tenta deslegitimar a sua fala?

Pois é! Não adianta dizer que o mundo é globalizado – porque, até onde sei, eu vivo nesse mundo ultra conectado e nem por isso deixo de ver a cultura negra sendo atacada quando ela é usada por negros – ou gritar aos quatro ventos que “vai ter branca de turbante sim!” – já que a discussão sobre apropriação cultural é algo social, não de um único indivíduo.

Outra situação recorrente: pessoas brancas que usam a cartada do parente ou amigo negro para explicar e/ou justificar o racismo que comete e tirar a fala de quem é atingido por ele. Quantas vezes eu já não ouvi “eu sei o que é isso porque tenho um negro na família” ou “eu posso falar sobre isso porque meu amigo é negro”. Não, não sabe. Não, não pode. Eles são negros, você não.

Eles sabem o que é ser negro na sociedade em que vivemos, você não. Aprendendo isso, você vai voltar ao o que eu disse lá no começo do texto: vai aprender a ouvir e não querer tomar a frente de uma situação que você não sabe, nem de longe, o que é. 

Acho que posso resumir este post em duas frases: não seja omisso em situações de racismo e aprenda a ouvir e aceitar que ele existe – e, não, não existe racismo reverso. É muito fácil para uma pessoa branca dizer que o racismo não existe, sabe? Afinal, ela não sabe o que é isso. Não sabe o que é preterido e marginalizado pela sociedade em inúmeras situações.

É muito fácil para uma pessoa branca dizer que o dia de hoje deveria clamar pela “consciência humana”, já que é reconhecida e tratada de forma humanizada desde sempre.

Se você é uma pessoa branca e está lendo este texto, não ache que não pode fazer nada. Você pode sim. Você pode fazer o mínimo que é respeitar uma pessoa negra, sua vivência e levar este respeito adiante – desde a roda de amigos com o engraçadão que adora fazer “piadas” e diz que o mundo está chato demais, até o jantar de família com aquele tio que vive sendo racista e achando que isso é normal.

E, ah, não se esqueça que isso é o mínimo. É o mínimo que espera de uma pessoa que olha para o lado e entende que no mundo já não cabe mais quem acha que pode diminuir uma pessoa pela cor da pele dela. Minha militância é negra, mas você estando disposto a contribuir com ela, será, sim, muito bem vindo! 🙂

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