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Outro dia eu estava no salão e, bom, não tive como não ouvir a conversa de uma moça que estava ao meu lado. Ela estava com o celular na mão rolando a timeline do Instagram e comentando em voz alta: “nossa, como fulana é magra”, “olha essa roupa que ela está usando que linda”, “meu deus, olha essa foto, sério. Que lugar incrível”, “queria ser assim”, e mais um monte de comentários a medida que o seu dedo se movia na tela do celular.

Continuei na minha. A cabeleireira comentou com ela: “esse pessoal não deve ter problema nenhum na vida”. Aí a moça respondeu: “pois é, minha vida é um tédio, não faço nada de interessante e esse povo só viaja, só faz coisas incríveis”. 

Saí do salão e vim para casa pensando no que ela falou. Poderia ter entrado no assunto, já que ela falava olhando na minha direção, mas estava um pouco mal humorada para conversar, rs. A conversa ficou na minha cabeça o dia inteiro, fiquei só pensando no tempo que a gente fica com o olho no celular, desejando a vida de outras pessoas e esquecendo a nossa própria. 
Eu sou heavy user de redes sociais. Mesmo! Fico com o celular na mão o dia inteiro. Olho uma foto aqui, uma foto acolá, e, claro, fico desejando algumas coisas que vejo. Afinal, que não gostaria de viajar o tempo todo? Quem não gostaria de ter uma casa de Pinterest? O desejo é normal do ser humano. A gente almeja algumas coisas que vê. Nada de errado nisso!
Imagem: Julie Winegard
Apesar de ver coisas que quero para a minha vida em timelines alheias, eu sei que a minha vida é muito boa. Já passei dessa fase de achar que eu não tinha nada porque via pessoas no Instagram que, aparentemente, tinham tudo. E esse tudo não é só bens materiais, mas também felicidade na família, nas amizades, nos relacionamentos, na vida perfeita…
Mas aí é que tá: quem disse que eu não tenho tudo isso? Quem disse que eles têm tudo isso? Uma foto milimetricamente editada? Certeza que não! Precisamos aprender que redes sociais não representam um todo de uma pessoa. O que vemos ali é uma parte muito bem editada, com filtros (literalmente)! 
Quando posto foto de manhã cedinho no meu Instagram, estou de pijama, com o rosto oleoso e descabelada na minha cama. Nem todos os dias eu como em restaurantes incríveis que rendem imagens para o meu perfil. No dia a dia, maquiagem é uma coisa quase nula na minha vida, só uso quando vou sair ou preciso fazer algo para o blog. 
redes sociais mentira
Aquela quantidade de likes realmente conta na hora de você ser amada na vida real? Os elogios são reais? A pessoa que diz que te adora na foto do Instagram fala isso pessoalmente? Te chama para tomar uma cerveja e colocar o papo em dia? 
Então, olhe um pouco mais de perto para a sua vida. Ela não é entediante só porque você não tem tantas roupas quanto fulana x nos seus looks do dia. Você não tem uma vida triste. Olhe além do seu celular. Olhe para fora. Veja seus amigos, sua família, quem você é e o que pode ser. 
Esse conceito incoerente de vida perfeita faz com que a gente se esqueça da vida real. A gente fica desejando tanto a perfeição do outro que esquecemos de olhar ao nosso redor, longe do celular, e ver o que temos as nossas mãos. Pode não ser dinheiro, pode não ser um passaporte todo carimbado ou um closet recheado, mas temos coisas boas sim.
Podemos desejar uma vida melhor sem precisar se basear no que os outros vendem nas redes sociais. Porque o que está ali, nem sempre é verdade. Fotos “perfeitas” podem mascarar o cheque especial, o nome no SPC, o relacionamento falido, a depressão, os transtornos, a falta de emprego, a solidão, a carência, e mais um monte de problemas que ninguém vai descer do salto para fazer textão sobre no Facebook.
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