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Eu sou uma pessoa muito ambiciosa, reconheço. E não acho isso uma coisa ruim, já que luto pelas minhas coisas, para melhorar como pessoa e conseguir alcançar os meus sonhos sem incomodar os outros de forma alguma. Além disso, também sou muito ansiosa. Quero as coisas pra ontem, sabe? 
Juntar essas duas características não é lá uma coisa muito boa porque elas, de certa forma, acabam colocando pressão em mim mesma para conseguir as coisas que não vão acontecer no curto prazo que desejo. 
Vivo na geração do imediatismo. Do que tudo é pra ontem, de que você tem que saber o que vai fazer pelo resto da sua vida aos 18 anos, conseguir fazer de tudo aos 25 e ser bem sucedido aos 30. Uma crueldade, confesso. Quando foi que a gente começou a se pressionar tanto? Tenho 24 anos e, não vou mentir, às vezes me dá um medo tremendo de não conseguir tudo que quero a tempo. Mas aí, no mesmo momento, me pergunto: o que é esse tudo? Quanto tempo eu tenho?
Foto: Beth Retro
Estava conversando com meu pai esses dias e ele disse que eu preciso entender que ainda sou jovem. A conversa começou porque eu tinha planos de ir morar sozinha antes dos 25, que chega em novembro deste ano, e acredito que não vou conseguir realizar essa meta até o final do ano que vem. Disse a ele que estava frustrada. Ele me respondeu que preciso parar de me cobrar, que admira a minha geração pela vontade de independência e a critica pelo mesmo motivo. 
E eu concordo com ele. Falo por mim mesma: tenho tanta vontade de ser ~dona do meu próprio nariz~ que, às vezes, acabo me perdendo em meio aos meus desejos. Somos ansiosos. Vivemos conectados desejando coisas que, na maioria das vezes, não vamos conseguir no tempo que queremos. Quantos dos seus amigos sofrem de crise de ansiedade? Eu, arrisco em dizer, que de 10 amigos que tenho, 9 sofrem deste mal. Me incluo nesta conta, óbvio!
O que estamos fazendo com nós mesmos? Me pergunto isso todos os dias em que dou uma mini surtada pensando que posso chegar aos 30 anos sem ter conseguido ir morar sozinha. Isso é doentio! Estou surtando por uma coisa que pode, ou não, acontecer daqui a 5 anos. 
Queremos viajar muito, nos divertir com nossos amigos, ao mesmo tempo, trabalhar bastante numa empresa descolada para mostrar o quão ocupados somos, namorar, alguns até querem se casar, ter um apartamento bacana num bairro legal, empreender, amadurecer, continuar estudando, e, tudo isso, antes dos 30 anos. Ah, e com as redes sociais bem alimentadas, é claro. E se a gente não conseguir? O que vamos fazer? 
Todo dia eu penso: preciso parar de me cobrar tanto, de querer tanto em tão pouco tempo, eu vou surtar qualquer hora. E, às vezes, eu surto mesmo! Precisamos parar de nos sentirmos velhos, inúteis e fracassados aos 20 e poucos anos. Afinal, só temos 20 e poucos anos, pelo amor de Deus! É claro, não vamos nos estagnar, nos contentar com o que temos e é isso aí. Mas essa pressão toda ainda vai acabar com a gente!
Tem muita coisa do mundo a ser feita e nós podemos muito mais, sempre podemos. Eu não consigo ficar parada, mas preciso desacelerar o ritmo, acabar com essa sensação de que o meu tempo está acabando! Enquanto fico pensando no que não vou conseguir, adoeço, me entristeço e esqueço que dá para fazer as coisas com calma, sabe? 
Vamos ser leves, por favor! Esta é uma crítica a mim, a você, a todo mundo que está na crise dos 20 e poucos anos, e também a essa cultura que faz com a gente se sinta menor do que somos por não ter um salário milionário, por não empreendermos, por não viajarmos o suficiente, não acompanharmos tudo que acontece no mundo, ainda morarmos com nossos pais e não termos o carro ano – tudo isso pouco depois de sairmos da faculdade, ainda jovens, sem ideia alguma de quem somos. 
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